O Vão, o Trem e a Plataforma_convite

O Vão, o Trem e a Plataforma

Coletiva para o ateliê aberto Vão, com os artistas Susy Miranda Aziz, Ricardo Barcellos, Walter Costa, Silvia Jábali, Maria Fernanda Lopes, Maria Luiza Mazzetto, Ivan Padovani e Thais Stoklos.

Por Renato De Cara

A variedade em olhar para dentro de um ateliê aberto é sempre muito rica e estimulante. Ali estão artistas mergulhados em seus afazeres e poéticas, as mais distintas possíveis, com suas questões práticas e conceituais, ávidos para criar e trocar.

No caso do VÃO, espaço coletivo, localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, encontramos oito talentos, de procedências e formações variadas, todos eles inseridos nas questões de nosso tempo, lidando com materiais específicos, alcançando resultados singulares.

Por isso, ao pensar uma coletiva para, de certa forma, reapresenta-los nesta época efervescente da cidade, onde o mercado procura e anseia pelas novidades e exclusividades, é um privilégio e tanto.

Elencados, editados e expostos em um espaço comum, literalmente em uma vitrine situada em um dos polos de galerias e ateliês da metrópole, é um risco e uma confirmação de que vale a pena, sempre, olhar a procura do novo e do inusitado.

O título, irônico de certo, é provocado pelo novo nome de batismo do espaço, fazendo menção ao cuidado e à atenção que precisamos ter ao nos aventurarmos em campos minados, driblando dúvidas, armadilhas e intempéries que, analogicamente, encontramos em nossos percursos.

Apesar de juntos fisicamente, a maioria das relações entre os oito artistas aqui são novas e, por isso mesmo, o viés curatorial vai de encontro à força da linguagem de cada um, procurando equacionar o embate do conjunto no espaço expositivo. Da plataforma em que se encontram, ao anseio de embarcar em suas carreiras com um resultado expressivo, fica o alerta para aquilo que sempre devemos lembrar: cuidado com o VÃO!


 

Susy Miranda Aziz é aquela que a 50 anos vem pintando, transformando seus sentimentos em traços, pinceladas e bordados, com referencias orientais, seja nos materiais, seja nos resultados de paisagens e florais. Transparências em papéis e tecidos, além de porcelanas, fazem parte do seus suportes e as pesquisas de pigmentos dizem respeito à delicadeza com que encara seu ofício. O conceito fica ao dispor de quem aprecia. A importância está em seu processo que traz da alma a alegria para a criação de uma poesia delicada.

 

Ricardo Barcellos tem no currículo uma extensa carreira na fotografia comercial e, desde o início do século XXI, vem realizando projetos pessoais, entre livros e exposições em importantes instituições de arte. Seu trabalho está em provocar os ambientes em que a imagem circula, desconstruindo programas e linguagens e questionando como nos relacionamos com eles. Procurando transcender a materialidade, algumas de suas obras tem o vídeo como suporte, projetado em efêmeros ambientes de vapor ou, ainda, com apropriações de fotografias editoriais reapresentadas com texturas elaboradas. Pesquisando as transformações e deturpações do comportamento contemporâneo o artista desenvolve uma poética plástica irretocável, cheia de camadas simbólicas.

 

Walter Costa é italiano de nascença, tendo vivido em outros países até embarcar nesta temporada tropical. Com uma narrativa que se interessa por livros de artistas, fotografia e vídeo, atualmente pesquisa a captação da imagem através da tecnologia, especialmente com equipamentos termográficos, para falar e reler as questões de classe e hierarquias variadas. Como que em um raio-X, suas imagens revelam a temperatura do ser humano, objeto final, seja em grandes aglomerações, seja na paisagem, através do contraste entre confortos e incômodos, privilégios e segregações sócio-políticas.

 

Silvia Jábali mora em São Paulo desde 2.002, é formada em arquitetura e sempre se interessou pela pintura. As figuras que estão hoje em seu trabalho se apossam do território pictórico como sombras enigmáticas, silhuetas negras, em esboços de uma individualidade que pretendem se presentificar, impondo-se, ora lúdicas, ora soturnas e sensuais. Todas de um negrume absoluto, reclamando o seu lugar junto ao universo lumio, na procura de um vir a existir.

 

Maria Fernanda Lopes, depois de experimentar o teatro e a performance, vem desenvolvendo sua pesquisa nas artes visuais com materiais do cotidiano, como instrumentos e artigos para cozinha e costura. Lidando com elementos como alfinetes, linhas, filtros e frutas, constrói imagens matéricas, cheias de texturas e volumes. Seja em monotipias, fotografias ou esculturas, Fernanda propõem um diálogo para a vida, entre a especialidade plástica e o banal da vida diária.

 

Maria Luiza Mazzetto é formada em arquitetura mas suas construções são de mundos orgânicos. Desenhando sobre papel a artista cria grandes paisagens que poderiam dizer sobre o fundo dos mares ou o interior de um organismo vivo, incluindo a proliferação de sociedades fantásticas. Com um trabalho extremamente paciente vai sobrepondo formas até a cena se completar. Experimentando agora o tridimensional, também esculpe elementos semelhantes para ocupar o espaço sutilmente.

 

Ivan Padovani pensa a cidade como um arquiteto outsider. Fotografa grandes obras abandonadas, esquecidas de suas importâncias e existências. Monumentos do futuro de um pretérito imperfeito, digamos. O concreto, as vigas de aço e as sustentações de madeira só importam porque trazem em si os vestígios do tempo. A ferrugem e a fuligem são comuns no impulso de um ideal desestabilizado. Com potentes instalações e imagens fotográficas grandiosas Padovani documenta a falência da megalomania de um poder econômico ultrapassado.

 

Thais Stoklos olha para tudo aquilo que é descartado. Linhas, papéis, galhos, tecidos e pedras são reunidas, propondo novas formas, agrupando elementos em uma linguagem urbana, industrial ou natural. Como que se traçando caminhos ou construindo monumentos efêmeros, pereniza a importância do sutil, na fugacidade do contemporâneo.

 

SERVIÇO

O Vão, o Trem e a Plataforma

Abertura dia 9 de abril de 2018, das 17h às 22h

Visitação: 10 de abril à 05 de maio

Rua Mourato Coelho, 787 – Pinheiros

Horário de funcionamento*:

segunda 09/04/18 das 17 às 22h

terça à sexta 10-13/04/18 das 14 às 19h

sábado 14/04/18 das 17h às 21h

*excepcionalmente durante a SP Arte

a partir de 16/04 visitas sob agendamento vaoespacodearte@gmail.com

 

 

 

 

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